Sobre Blogs

Quinta-feira, Março 17, 2005


Mais do mesmo

Este texto escrevi no dia 04 de fevereiro de 2005, em alusão ao texto anterior postado neste blog, sobre mais um dos casos de roubo de texto na net:

Descobri mais um caso (entre milhares de casos) de texto legal para caramba sendo enviado por e-mail e postado em diversos blogs como sendo de "autor desconhecido". É o texto sobre o outoor da academia Runner, postado no dia 19 de novembro de 2004 pela Gabi, do blog http://elburgente.weblogger.com.br/.


Não, eu não conhecia a Gabi, mas fiz uma pesquisa no google ao receber o texto e acabei descobrindo. Pessoal, por favor, não divulguem textos sem autoria e sempre pesquisem ao receber um texto legal, ainda que creditado. O Google está aí para isso.

Desde o caso do frango dançarino de can-can do diário de uma dieta, da Patrícia Daltro, quando me dei conta do tamanho do problema, vejo que a história se repete ad infinitum sem que ninguém se conscientize. (Alguém se lembra que há mais de um ano escrevi o texto Ética e Respeito, publicado no Blogólatras Anônimos, que ainda pode ser encontrado no Sobre Blogs?)

Dia desses o José Simão roubou uma piada do blog da Paula e depois que ela mandou um e-mail, pediu desculpas (para ela) e justificou-se dizendo que a piada estava "Circulando pela internet". Não estava, mas mesmo se estivesse, isso não justifica nada. Nenhum texto se auto-produz, caramba! É tudo uma questão de respeito (ou de falta de).

O tal "Autor Desconhecido" é o cara mais criativo da internet. E o que mais produz textos, também. E, altruísta, espalha seus textos por e-mail para que sejam copiados sem dó nem piedade, pelo simples prazer de divertir os outros, não quer créditos, não exige respeito.

É o autor mais legal da net, o cara que distribui suas coisas, abre mão do seu trabalho e não se incomoda em gastar horas e horas de seu tempo criativo a fazer um texto legal e vê-lo surrupiado por outra pessoa.

É trabalho, pôxa vida, ainda que estejamos aqui na internet, publicando coisas em blogs, por uma questão de ética e caráter, devemos respeitar o que se passa entre as orelhas dos indivíduos e o que eles transformam em caracteres.

Ainda que eu saiba que existe gente tão burra que mesmo que eu me mate de explicar isso em todas as línguas continuará defendendo que o autor deveria gostar porque se o texto está se espalhando é porque é bom. Ok, se alguém entrar na sua casa e roubar seu aparelho de dvd, fique feliz. Se o ladrão gostou, é porque o aparelho era bom.

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Alguns comentários:

"Olha, eu tb acho uma GRANDE sacanagem este pessoal que rouba texto de blog e não fala o autor, mas eu tenho que admitir que eu repasso quando me mandam. Explico: o Brasil é um país onde se lê muito pouco (vejo pelo meu irmão isso), daí, quando eu vejo que é um bom texto - mesmo sem autor - e se eu repassá-lo muitas pessoas que não lêem nada vai lê-lo, acho que vale a penaAfinal, pelo menos eles estão lendo alguma coisa. Deu pra entender o que eu quero dizer?

Sei que posso estar errado em fazer isso, mas realmente eu acho que vale a pena. Só fico pensando que se eu eu fosse o autor do texto continuaria pensando assim. Não sei, mesmo! Uma vez eu te disse, depois de ler um texto seu criticando isso, que não ia mais passar esses textos, mas continuo repassando, por isso que disse acima.

Beijos!"
Túlio

Túlio, não é errado enviar textos legais para estimular a leitura, errado é fazer isso sem nem ao menos dar-se ao trabalho de fazer uma pesquisa simples no Google, entende? Não custa nada, é só colocar um trecho do texto e descobrir o autor.

No caso citado, eu coloquei a última frase: "Runner, querida, prefiro ser baleia" e encontrei uns duzentos resultados. Aí refinei a pesquisa acrescentando além da frase procurada, as palavras "blog" e "meu texto", porque desconfiei que fosse roubada de blogueiro. Aí tive como resultado o blog da Gabi e mais dois, comentando o roubo.

Então, usar o estímulo à leitura como justificativa para espalhar textos sem autor não é válido, já que com uma mera pesquisa rápida no google você resolve o problema. Se não tiver tempo para pesquisar na hora, não repasse o texto, deixe para mais tarde.Porque a pessoa pode até ler na hora, mas sem o autor correto ela nem poderá pesquisar novos textos, caso se interesse subitamente pela leitura, então melhor fazer as coisas de forma completa, não?

"Realmente, Vanessa, não custa nada eu tentar procurar o autor do texto pelo Google. É uma falta de respeito de minha parte nem tentar saber quem teve o trabalho de escrever o texto.
Beijos!
Túlio

Túlio, fico feliz que você tenha compreendido isso e espero que daqui para diante você faça do Google seu aliado na tarefa de incentivar a leitura via internet :) Beijão!

"Van meu pc parece mais um banheiro publico todo mundo qqer um usa e faz o q quer... e daí? e dai q qu nao sei como mas seu blogger está nos meus favoritos a minha curiosidade me fez vir aki e eu adorei.

lendo seu post sobre citar textos de outros blogger ou pessoas sem dizer o autor eu nao vejo problema nisso desde que ao menos vc entre em contato com o responsavel e diga q achou mto bom e costaria de usa-lo eu viciei nesse tal bolggers qdo sempre leio e uso alguns post como inspiraçoes p. ex sobre o carnaval que eu odeio entrei no google e busquei o assunto p/ inspirar-me como dizer q eu odeio a tal putaria.

mas por um lado o blogger é pessoal ou seja o dono faz o que quer...se ele nao quizer dar os creditos tranquilo quem nao gostar que clique no X"
Pati

Pati, nem precisa pedir autorização ao autor, eu nem peço tanto. Mas colocar o nome do autor no final do texto (isso é dar os créditos) é simples, fácil, prático e não tira pedaço. Ainda faz com que você pareça uma pessoa educada. Legal, não? A propósito, a gente deve ter sempre em mente que não existe "textos de outros blogs ou pessoas". Existem pessoas por trás dos blogs. Textos de blogs são textos de pessoas.

Agora vamos para outro ponto: há uma diferença absurda entre copiar e colar um texto sem fazer referência ao autor (como se fosse seu ou citando outra pessoa sem conferir no google) e ler um texto para se inspirar e fazer outro partindo de sua própria criatividade. Eu, particularmente não costumo me inspirar em textos alheios, mas não posso dizer que nunca tenha feito isso.Eventualmente a gente lê um ou outro texto legal e começa a pensar em outro com o mesmo tema. Procurar textos no google com o único e exclusivo objetivo de "me inspirar" eu não acho necessário.

Se você não gosta de carnaval, por exemplo, comece a escrever como se estivesse explicando para um desconhecido os motivos de você não gostar do carnaval. Você deve ter motivos. Deve conhecer esses motivos. Por que então não tirar isso de dentro de você ao invés de procurar palavras alheias para "se inspirar"? Por mais que no começo os textos nem estejam assim tão bons, com o tempo você vai tomando prática e eles evoluem.

Em todo caso, por "se inspirar" eu entendo: ler um texto e fazer outro diferente com o mesmo tema, ou o mesmo foco. Isso é diferente de copiar um texto (ou partes dele) e dizer que é seu, ou que é de "autor desconhecido". Isso é falta de respeito. E o blog ser pessoal e o dono poder fazer o que quer não dá a ninguém o direito de ser anti ético, mal educado e desprovido de caráter. E se "não quiser dar os créditos", é isso o que ele é.

Por exemplo, a casa da sua amiga é dela, ela faz lá dentro o que quiser, mas se você esquecer sua bolsa lá o fato de a casa ser dela não lhe dá o direito de mexer na sua bolsa, usar as suas coisas, gastar seu dinheiro como se fosse dela e jogar no lixo o que bem entender, não é mesmo? A casa é dela, mas a bolsa e sua. Então, o blog é seu, mas o texto, não.

Clicar no "x" não resolve falta de caráter e nem eu nem ninguém que produz textos por amor, por profissão, gastando tempo, trabalho e queimando neurônios deve achar isso normal e acreditar que clicar no "x" resolverá o problema. Isso é ignorar. É conivência. E me desculpe, mas esse não é um pensamento muito inteligente.


"Essa Pati, com certeza, nunca escreveu algo que desse trabalho para escrever. Porque quem escreve como profissão simplesmente ODEIA que "roubem teu texto", assim, pelo simples fato de poder "fazer o que quiSer (com ESSE) com seu próprio blog". Putz grila, que raiva disso!"
Blanda

...risos....Blanda, pois é....acho complicado entender como é que tem gente que ainda consegue pensar assim. É um argumento completamente tapado, porque não leva em consideração o trabalho de quem construiu o texto e a sacanagem que é tirar o nome do autor do troço. Será que só trabalho braçal é trabalho? E escrever não é, de alguma forma, trabalho braçal, além de intelectual?

A gente sabe o quanto é complicado fazer "O" texto. Aquele que a gente olha, lê, relê e diz: "cara, isso ficou bom". E depois vê-lo circulando assinado por "Autor Desconhecido" ou "Luís Fernando Veríssimo" ou "Arnaldo Jabor" (que já estão se tornando sinônimos de "Autor Desconhecido" devido à quantidade de textos não escritos por eles que circulam com seus nomes)....duas faces horripilantes de moedas semelhantes: ver um ótimo texto seu creditado a outro e ver um texto horrendo de outra pessoa creditado a você.

O problema da internet ainda é a grande quantidade de pessoas sem cérebro que a utilizam.

Update: Acabei de descobrir outro roubo...ah, Senhor, que coisa séria. É o texto que circula por aí com o nome de "Versões para a história da chapeuzinho vermelho", sobre como seria contada a história da chapeuzinho vermelho, pela mídia. Engraçadíssimo, o texto começa com

"CLAUDIA:
Como chegar na casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho

NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama

MARIE-CLAIRE
"Na cama com um lobo e minha avó", relato de quem passou por essa experiência"


O texto foi originalmente publicado no site Sub Rosa, é só rolar a página, está datado do dia 06 de Outubro de 2002. O autor é o jornalista Tom Taborda, dono de um talento incontestável (como as três outras escritoras citadas, que também já tiveram a infelicidade de virar spam) e que merece ter seu trabalho respeitado. Portanto, anote aí: além de não repassar texto sem créditos e sempre checar a autoria do que você recebe, caso chegue às suas mãos um texto sobre o diário de uma dieta com um frango dançarino de Can-Can, avise que a autora é Patrícia Daltro, do http://acriaturaeamoca.blogspot.com, se chegar o texto sobre o outdoor da academia Runner com o final "Runner, querida, prefiro ser baleia", credite à Gabi, do http://elburgente.weblogger.com.br/ e se você receber um texto sobre as várias versões da mídia sobre a história da chapeuzinho vermelho, avise que o autor é o jornalista Tom Taborda. Sim, os textos são fantásticos, por isso mesmo devemos respeitar seus autores. Dizer que um texto não tem autor é mentira, atribuir a autoria a outra pessoa, é roubo. Repassar texto sem autor ou roubado, é conivência.



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Quinta-feira, Novembro 27, 2003



Ética e respeito

Originalmente postado no Blogólatras Anônimos


Estou bastante chateada (e porque não dizer- chocada) com o que aconteceu com a Moça, alguém simplesmente colocou um texto dela para circular na internet (naquelas correntes de e-mail que a gente nunca abre...ao menos eu nunca abro, leio "enc" ou "fwd" e deleto de cara) sem lhe dar os devidos créditos. Pior, ela encontrou o mesmo texto em uns quinhentos blogs, alguns blogueiros assinavam o texto, outros atribuíam a autoria a outra pessoa ou simplesmente, como vinha no e-mail "Autor desconhecido".

Vamos falar um pouco sobre ética em blogs. Viu um texto, gostou, quer copiar e colar em seu blog ou copiar e mandar por e-mail? Dê os devidos créditos. Coloque o nome do autor e a url do blog. Não existe texto de autor desconhecido. Textos não se auto-produzem e ninguém fica no anonimato, sem nem um pseudônimo que seja, porque quer. O que existe é algum irresponsável que copiou um texto e não se deu ao trabalho de copiar também o nome do autor.

Temos que parar de achar que internet é terra de ninguém e ter um pouco de respeito pelo trabalho dos outros. É bem simples. Se você não tem capacidade de escrever um texto bom, esforce-se e desenvolva seu texto ou conforme-se, copie e cole o de outra pessoa, colocando o nome do autor e onde você o encontrou. Não fazer isso é desonestidade. A pessoa tem uma idéia legal, gasta tempo escrevendo, disponibiliza na internet para leitura, vem um indivíduo qualquer e rouba o texto (sim, é roubo) e encaminha para meio mundo assinado por "Autor desconhecido".

A Moça pediu que quem recebesse o post dela por e-mail, que está circulando com o nome de "Diário de uma gorda", responda à lista dizendo que aquele texto foi escrito pela Patrícia Daltro, do blog A Criatura e A Moça. Eu vou mais além: não repassem textos de autoria desconhecida, não copiem e colem sem dar os créditos ao autor, se entrar algum texto, por mais legal, interessante e bem bolado que seja, em sua caixa de entrada sem o nome de quem o escreveu, deixe que morra lá, não passe para a frente. Não cole em seu blog textos de autoria desconhecida ou duvidosa. É a minha campanha. Todo texto tem autor, vamos acabar com o vilipêndio dos talentos da blogosfera. Por favor, divulguem isso.

Um pouco de ética e respeito, ao menos entre nós e nossos leitores. Se cada um fizer a sua parte, é perfeitamente possível. Não pense que "está na internet é de domínio público", não é. Está na internet para todo mundo ler, em confiança, não significa que não tenha mais dono. A Moça, como boa parte dos blogueiros e escritores que têm blog, é muito gente boa, deixa qualquer pessoa copiar um texto dela e colar onde quiser, mandar para onde quiser, desde que coloque ao final do texto o nome dela. O que custa?

Internet é só mais um meio de transportar informações, não é uma outra dimensão em que nossos valores e princípios podem ser jogados no lixo assim. Somos pessoas lidando com pessoas, como em qualquer outro lugar, qualquer outra situação. Respeito. É o que pedimos. Simples assim.

Por: Heiter (Van) do Another Monster


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A etiqueta invisível e a blogosfera

Originalmente postado no Blogólatras Anônimos


Sempre escrevi, desde que me entendo por gente, coisas que na época não sabia, mas hoje sei que poderiam ser consideradas posts, se eu soubesse ao menos ligar um computador antes dos 19 anos. Escrever sempre me bastou, fazia textos em cadernos, mantinha diários, escrevia romances, poemas, contos, peças, enfim, tudo o que me viesse à cabeça- e o que não me viesse também.

Então descobri a internet. Das enjoativas salas de chat rapidamente fui abduzida aos grupos de discussão, news do uol, para ser mais exata. Detestada por fazer do news de psicologia um news de variedades e falar mais de mim do que de qualquer outra coisa, descobri o mundo dos blogs. Aliás, descobri um blog, não sabia ainda que havia um mundo inteiro por trás dele...descobri outro, depois outro e outro até que surgiu a vontade de fazer um. Ainda completamente cyber-analfabeta e muito pouco à vontade, comecei meu primeiro blog, no hpg (estava lá, congelado, mas acaba de ser banido do hpg por "conteúdo impróprio"), sem espaço para comments e quase sem leitores.

Aos poucos foram me descobrindo, da maneira que descobri ser a mais eficiente de atrair leitores sem ter a intenção de fazer propaganda: através de comments em blogs alheios. De lá fui para o blogger.com.br, assim que ele passou a existir e lá estou, há nove meses (devo nascer em poucos dias).

Nesse período de "vida blogueira" (apesar de não me considerar blogueira, mas isso explico em outro post, quem sabe), descobri algumas coisas interessantes, como a "etiqueta" que rege todo esse nosso universo de blogs. Preste bastante atenção para não ficar com sua imagem "arranhada" por cometer alguma gafe bloguística, se quiser ser uma criatura respeitada na blogosfera. Primeiramente sobre comments:

Falei sobre conquistar leitores através de comentários nos blogs dos outros, mas isso não quer dizer, em hipótese alguma, deixar um recado do tipo "Oi, adorei seu blog, passa lá no meu!"....isso é abominável, também "Muito bom seu blog. Dê uma olhada em http://www.(completa o endereço), tenho certeza de que você vai gostar"....eu vou detestar. Aliás, eu nem vou ao blog, de tão irritada que fico com isso, é de uma falta de educação sem tamanho, é quase como dizer: "Olha, eu não li nada do que você escreveu, não estou nem aí para o seu blog, só quero fazer propaganda do meu", caramba, isso é SPAM.... a pessoa nem sabe quem você é e provavelmente nunca vai voltar, só que incrementar o contador... pior ainda quando o indivíduo escreve "Oi, seu blog é muito legal, vai lá no meu e não se esqueça de deixar um recadinho"... dá vontade de ir no blog da pessoa, copiar e colar o mesmo comentário, já pensou? Vai ficar, eternamente, um indo no blog do outro e não lendo nada...

O que fazer então? Exercite seu cérebro. Vá a um blog, leia os posts (não precisa ler tudo logo na primeira visita, mas pelo menos os cinco mais recentes ou os que achar mais interessantes), gostou? Comente (algo referente ao post), se você preencher os campos direitinho, o dono do blog e outros leitores poderão te encontrar através do seu link, se quiserem. Sinceramente, não conheço dono de blog (eu, inclusive) que não vá ao blog de um leitor novo para saber de quem se trata, aliás, isso também é uma regra velada de etiqueta da blogosfera.

Mas por favor, algo muito importante: leia, entenda e tenha o que falar, não faça comentário nenhum só por propaganda. A vantagem disso é que você conhece gente interessante de blogs interessantes e, de quebra, ainda corre o risco de conseguir um bom leitor.

Quanto aos links, há divergências. Tem gente que acha que só porque foi linkado deve linkar também, para retribuir a gentileza. Eu, sinceramente, não sei. Me incomoda ter que linkar gente que nada tem a ver comigo só porque fui linkada...da mesma forma, tem gente nos meus links que nunca me linkou na vida e eu entendo perfeitamente...também tem gente que já me linkou e, após algum tempo, me "deslinkou"....isso não entendo, mas cada um é dono de sua coluna de links e faz dela o que quiser...o link do indivíduo ainda está no meu blog e eu continuo sendo leitora dele.

Tenho uma vontade imensa de fazer uma coluna do tipo "Estou linkada, mas nunca leio" para "retribuir a gentileza" sem me comprometer com a ideologia dos blogs nessa situação, mas acho que não seria muito bem compreendida, soaria antipático demais e provavelmente isso também vá contra a tal etiqueta invisível. Então, até agora não sei o que fazer com tais blogs. Fora que existe gente que te linka e você nunca fica sabendo, aí é difícil...e quando a pessoa ameaça "vou te linkar" ou pede "posso te linkar?", parece que está pedindo um link também (por mais que esteja apenas tentando ser educada), por isso acho que essa questão de links é bastante delicada e indefinida.

Ah, claro e nunca, jamais responda a um comentário qua foi deixado em seu blog no blog de quem comentou... não existe coisa mais desagradável...quer dizer, existe sim, os comportamentos que já citei. Responda em seu próprio blog, se a pessoa quiser, volta lá e lê. Se você quiser comentar no blog do seu leitor, comente algo referente ao post dele. É uma questão de respeito com os outros leitores da pessoa que comentou em seu blog, afinal de contas, ninguém vai entender nada, é comparável entrar em uma roda e interromper a conversa falando em um dialeto que ninguém domina, exceto seu interlocutor, quando você poderia falar uma linguagem compreensível a todos. Se quiser pode até dizer "respondi seu comentário no meu blog", aí quem quiser vai lá e lê, o comentário e a resposta.

Falando em comentários, chegou uma época em que escrever no blog não me bastava, continuo escrevendo em cadernos, no editor de texto (só não faço mais diários) e em outros blogs que mantenho, mas no meu blog só escrever não me basta, porque além de um meio de publicação gratuita dos meus textos, ele se tornou uma forma de contato com pessoas que conheci na blogosfera e que se tornaram muito importantes para mim, mais do que leitores, amigos. Como se o blog fosse a sala da minha casa e eu me encontrasse com eles ali, todos os dias, para bater papo. Desta forma, se eles ficam calados, eu me sinto fazendo um monólogo sem fim, como se ninguém estivesse gostando da conversa, como se entrassem, ouvissem e saíssem correndo antes de responder.

Assim, juntando essa necessidade do feed-back com um periodo de fragilidade emocional e carência absurda, tornei-me uma pedinte de comentários em meu próprio blog, quando via que o número de visitas era inversamente proporcional ao número de comentários e eu nunca sabia quais dos meus leitores habituais que não comentavam estavam lendo e quais nem apareciam, comecei a me sentir abandonada e fiquei com a nítida sensação de que não havia mais sentido para aquele blog e, diversas vezes, pensei em suicidá-lo.

Agora passou, por enquanto, pelo menos, mas acho que passou. Mas tenho consciência de que isso não acontece apenas comigo (ou espero que não aconteça apenas comigo) e mendigar atenção, definitivamente, não tem absolutamente nada a ver com minha personalidade, portanto, resolvi agir como se estivesse sozinha naquele blog e agora estou feliz, falando sozinha no meio da sala, conversando com as paredes e sendo interrompida, vez ou outra, por um ou outro, ou tês, ou quatro, ou cinco amigos que resolvem aparecer e comentar. E acho que a tal etiqueta invisível também condena quem pede comentários em seus posts... controle-se, Vanessa.

Por: Heiter (Van), do Another Monster.

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Quinta-feira, Julho 17, 2003


Não quero estar no Blogs of Note


Que fique bem claro aqui, para a entidade sobrenatural que escolhe os 10 blogs que "chamaram a nossa atenção essa semana", que, por favor, ainda que eu chame a sua atenção, não me inclua no "blogs of note".

Sou neurótica, simplesmente não suportaria a enxurrada de gente vinda sabe-se-lá de onde, que nem lê seus posts (nem sabe seu nome, não se preocupa nem em dar uma olhada geral no blog) e faz questão de colocar comentários irritantemente insuportáveis do tipo "Oi, adorei o seu blog, passa lá no meu" (essa é clássica, não?). Compreendam, seres que fazem esse tipo de coisa, quando você posta um comentário (sobre o post) em um blog de gente que raciocina, provavelmente o dono do blog seguirá o link para conhecer o novo leitor, ainda que você não peça uma visita. É cortesia e curiosidade, natural. Se gostar, voltará sempre e, quem sabe, poderá até te linkar (sem que você peça) se não gostar, não aparece mais, simples assim.

Não entendo gente que quer números no contador, que necessita de comments, ainda que não digam coisa com coisa, gente que quer multidão, quer platéia. É claro que quero platéia, caso contrário meu blog não seria público, mas minha platéia é selecionada, vip. Não me interesso por números, quero gente que pensa lendo meus textos e comentando com educação e coerência, ainda que não concorde comigo. Não me interessa ter um sem-número de leitores, mesmo porque gosto do contato pessoal, responder comments, me corresponder por e-mail, ICQ de vez em quando, cartas com quem me manda o endereço, enfim, a coisa é de vila mesmo, pequeno público, porém fiel. Muito mais do que meus leitores, meus amigos. Claro que leitores novos e até esporádicos são muito bem recebidos, muito bem tratados e, se quiserem, podem juntar-se ao "time" dos frequentadores assíduos do blog, mas detesto quem aparece uma vez na vida, nem lê seus posts, vai direto nos comments fazendo spam blogueiro. Odeio! Tanto ou mais do que as estrelinhas, borboletinhas, letrinhas, frasezinhas que seguem o mouse ou as figuras grudadas no cursor, blogs escritos em linguagem de chat analfabeto, Hello Kitties, banners piscantes, travas de alerta anti-cópias ou anti-rolagem pelo teclado e templates com uma poluição visual digna de multa.

Pensando bem, nem sei o que é pior...pior é que geralmente quem faz spam blogueiro é dono de um blog com essas características nefastas escritas acima. Nunca vi um dono de bom blog, inteligente e bem escrito que deixe um recado do tipo "Oi, seu blog é demais! Vai lá no meu! Bjinhusss" ....geralmente é gente medíocre, de blog medíocre que atrai pessoas medíocres e fazem uma grande comunidade medíocre, que como "A Coisa" começa a tomar conta da base da pirâmide blogueira, são a maioria e a pior parte do mundo dos blogs. Não estou no topo, mas se é que estou incluída no chamado "mundo blogueiro", devo estar no meio, como o recheio do sanduíche, praticamente um queijo cheddar. Espero que sim.

PS: Jesse , sua experiência me motivou a escrever esse post, após breve análise de outros "of note" conhecidos e a constatação acima.

PS 2: Isso vale também para o What's Up

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Segunda-feira, Maio 26, 2003

Desculpas antecipadas a quem se sentir ofendido por esse post.


Só uma nota, porque há dias que eu preciso dar essa nota. Eu odeio quando você vai a algum blog e tem uma estrelinha grudada na ponta do cursor do seu mouse, você nunca consegue saber onde está clicando. Odeio mais ainda aquelas borboletinhas, estrelinhas, coraçõezinhos ou qualquer outro tipo de diminutivo que comece a seguir o cursor pelo blog, deixando um rastro cambaleante, como uma sombra iluminada e irritante que pára quando você pára, te segue e até faz curvas, é aprisionador e insuportável, dá nos nervos.

Por que cargas d'água alguém, em sã consciência, resolve fazer isso com seus leitores? Sadismo? Pior ainda (a essa altura do campeonato nem sei o que é pior) são aqueles blogs em que você é obrigado a usar a barra de rolagem porque toda vez que clica na seta do teclado pula uma caixinha de alerta com coisas do tipo "Oh,oh, don't do it", simplesmente não dá para se concentrar no texto (se tiver algo que valha a pena ser lido)....blogs cheios de penduricalhos, estrelinhas que piscam, borboletas que se movem, Hello Kitties que acenam, banners brilhantes poderiam pagar multa por poluição visual, me dá dor de cabeça... mas tudo bem, liberdade de expressão é isso, não?

E cada um faz o que quiser com seus blogs, (inclusive eu) mas fica aqui meu protesto, mais do que registrado. Nada pessoal, só precisava escrever isso antes que tivesse uma crise nervosa e tentasse quebrar o monitor para matar as borboletas que me seguem.

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Quinta-feira, Agosto 21, 2003

Eu conversava com o nada, escrevia para ninguém, talvez esperando que meu interlocutor me encontrasse após a morte. Hoje escrevo para vocês, como se falasse em uma roda de amigos. Conheço tanta gente, mas não consigo mostrar a Vanessa como faço aqui. No final das contas continuar este blog é assinar, dia após dia, post após post, meu atestado de fracasso em contato social. E profissional, por que não?

Por que me deixo sufocar pelo medo e acabo enterrando meus textos aqui neste canto perdido da internet? Melhor do que antes- dirão alguns- afinal de contas, agora ao menos alguém me lê. Ok, pode ser, uma barreira já foi transposta. Mas é estranho, é como se todos vocês fossem parte de mim, como se eu continuasse escrevendo em um caderno, mas agora o caderno responde. É a minha forma de contato com o mundo exterior, mas através do espesso véu do monitor, cara a cara será que eu o enfrentaria? E continuo minha vida, pincelando sobre coisas e pessoas, da forma mais superficial possível, me escondendo, fingindo que me mostro, cada vez mais longe.

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Fui descoberta

Vocês se lembram que eu comentei que um ex-colega meu da UFMS, o Marcelo, me encontrou e disse que lera meu blog? Pois é, agora foi a vez de outro ex-colega de lá (não sei se posso citar o nome dele aqui) me mandar um e-mail dizendo que descobriu este lugar. O constrangimento só não é maior porque há séculos não o vejo, mas a cidade é um ovo e eventualmente a gente se esbarra nos pontos de ônibus da vida. Nem é problema ele ter descoberto porque é amigo, gente boa e tal, mas já são dois (que eu saiba), meu receio é que em algum tempo haja um exército de campograndenses lendo meu blog e eu, neurótica como sou, sentindo-me lida no meio da rua. Ok, é uma hipérbole, é um pesadelo recorrente. Vamos agir naturalmente. O Alec me perguntou se ficarei me regulando agora que fui descoberta...respondi que não consigo, o máximo que pode acontecer é eu ter que ficar me desculpando pelas coisas que disser, se algum dia me exceder nos comentários..hehehe....

Ando incomodada com contatos imediatos com criaturas até então desconhecidas que encontro na faculdade, principalmente, e em todos os outros lugares pelos quais passo.... As pessoas começam a perceber que desrosqueio a ponta da lapiseira, que apóio a caneta entre o dedo indicador e médio para escrever, que corto a gola das camisetas assim que as ganho (ou compro), que uso dois anéis enormes na mão esquerda: uma Hello Kitty feita de dezenas de pontinhos de strass e uma borboleta de latão mesmo, prateado escuro e fosco (um dia tiro uma foto) e que o anel enorme do anular da mão direita é na verdade um relógio analógico, ao fundo a cara do ursinho Pooh (que na minha época era Puff) enfim, é a semana de descobrir as bizarrices da Vanessa. Tive que responder duzentas vezes às mesmas perguntas "Por que sua lapiseira não tem a ponta?", "Você escreve estranho", "Por que cortou a camiseta?", "Que lindo esse gatinho, é a Hello Kitty?", "Você gosta de borboleta? Tem alguma tatuada?", "Isso é um relógio? Funciona?"

Deixe-me abrir parênteses aqui: sei que muita gente ficou chocada com essa informação...é, carrego uma Hello Kitty nada discreta no dedo anular esquerdo...é, Hello Kitty. Não tenho culpa, ganhei o anel da minha tia Louca, achei o gatinho bonitinho e só depois de duas semanas fui desconfiar que era o famigerado ícone dos blogs fofos. A essa altura do campeonato eu já tinha me afeiçoado ao anel... e ela veio disfarçada. Ao invés do lacinho cor-de-rosa (ou vermelho, não me lembro), tem uma florzinha azul na orelha. Na verdade não tenho certeza de que se trata da Hello Kitty exatamente, ainda não temos o resultado do exame de DNA e da arcada dentária para comparar, mas se não for ela provavelmente é parente.


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Domingo, Agosto 03, 2003

Tempo


Eita, três dias sem postar e todos estão ávidos por notícias como se não me vissem há meses. O tempo na internet corre de maneira diferente do que o tempo no "mundo real", mas tudo bem, vou mantê-los mais ou menos informados do que tem sido a minha vida nos últimos e agitados três dias. Como bem sabem voltei a estudar. Os primeiros dias foram imensos "nada"s, novidade nenhuma, mal teve aula e encontrei alguns gatos pingados da minha ex-sala, certamente o pessoal voltará em peso apenas na segunda. Bem, tinha pouca gente na sala então nem posso comentar da minha nova turma.

Sexta à noite não tivemos aula, fomos a uma palestra, na verdade era o "Pimeiro Encontro de Jornalistas e Fontes", ou algo assim (me desculpem, mas nunca consigo decorar o nome desses eventos), para abordar a questão da criança e do adolescente, da exploração, do papel da imprensa e da sociedade diante dos fatos, etc, etc,etc... Ao final encontrei um antigo colega da UFMS. Cumprimentei, estava com saudades, é um dos poucos caras legais que conheci ali. Conversamos e...ele disse que entrou, há uns três meses, no meu blog. Pois é, me descobriu aqui....que vergonha... não fez comentário nenhum, o que me fez pressupor que ele não tenha se animado muito com o que viu. Se bem que há três meses o blog ainda estava engatinhando, não estava? "Sou da seguinte opinião: se está publicado na internet é para ser lido", disse ele. Ok, é para ser lido, mas não por gente conhecida. Ainda mais quando a pessoa lê e não entra em contato, sinto-me vigiada e corro o risco de ficar mais paranóica do que naturalmente sou. Enfim, se sou "descoberta" por algum conhecido, fico constrangida mesmo...talvez porque, ao me expor aqui, quebro a imagem que passo para a humanidade que me cerca.

Ter um blog, escrever tão abertamente, se entregar a bobagens do tipo, é provar o quanto sou inútil. Ei, estou falando de mim, eu sei que cerca de 98% dos leitores deste blog também possuem blogs, por favor, pessoal, não estou chamando-os de inúteis, mesmo porque cada um é responsável por sua própria inutilidade...risos... Existem blogs e blogs e cada vez mais vejo o Another Monster se transformar no abominável blog-querido-diário-de-pseudo-adolescente-descupada, ou pior, ocupada. Não, não pretendo escrever aqui relatórios sobre meu dia, muito menos discorrer sobre minhas intermináveis crises que parecem não ter solução e de repente desaparecem, conforme a mudança hormonal. Mas então o que escreverei? Não sei, continuem vindo e descubram...risos... talvez isso tudo acabe como uma resolução de ano-novo, que a gente até gostaria que acontecesse, mas simplesmente não consegue cumprir (ou não se empenha para isso).

Pois é, I'm back. Desculpem pelos incontáveis três dias que fiquei afastada do blog e agradeço a todos que me contactaram pelo ICQ, por e-mail e sinais de fumaça.


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Domingo, Junho 22, 2003

Andei pensando....a gente forma círculos de blogs, sem nem perceber. Encontra um blog através do link em outro blog e quando vai ver, tem um link para um terceiro blog, que você costuma frequentar, sem contar quando você se torna um elo entre um "blogueiro" amigo e outro, eles se conhecem no seu blog e passam a frequentar o blog um do outro, enfim, é uma "promiscuidade literária".... promiscuidade no bom sentido, vocês entenderam, né? Tem gente que aparece por aqui que nem sei direito onde me descobriu, gente que já vi linkado em vários blogs, gente que frequenta alguns blogs que eu frequento e que um dia resolvem querer saber quem é essa tal Heiter (Van)...e gostam (outros não, né?). Enfim, existem dezenas, centenas, milhares de blogs do mundo inteiro e de repente você se vê lançada em uma rede, em um círculo de blogs que têm a ver com você, com os quais você se identifica. Eu tive a felicidade de encontrar gente que escreve bem, que se expressa feito gente, que raciocina, que tem caráter. O pessoal que está linkado aqui e alguns novos leitores cujos blogs visito sempre e que ainda não linkei, mas vou linkar.

Gosto dessa interação também, esse negócio de responder comments, de estar em contato direto com os leitores, de ser leitora dos meus leitores... ei, como eu vivia sem isso antes? Este mês faz um ano que iniciei meu primeiro blog (o vansblog), este aqui está com uns três, quatro meses e eu tenho crescido muito mais aqui do que lá, porcausa de vocês, pessoas, com toda certeza. É uma coisa que sempre gostei de fazer, o tipo de texto que sempre me deu prazer, antes eu escrevia em cadernos, agora o caderno me responde! Serei uma eterna deslumbrada com blogs porque costumo levar o estranhamento em todos os lugares pelos quais passo, nunca nada é normal, comum ou corriqueiro. Esse mundo não é meu e eu não sou deste mundo, por isso não me acostumo com nada nunca, apesar de gostar de um monte de coisa.
Ainda falando de blogs, deste blog, especificamente, gosto também de ter maioria masculina em minha "lista" de leitores. Acho que me comunico melhor com os homens, sei lá, é difícil eu não me estranhar com mulher, ou melhor, é raro quando elas não se estranham comigo. Sou uma eterna apaixonada pelos homens, apesar de não ter nenhum no momento...hehehe...e apesar de nunca ter tido nenhum, né? Sou sempre a "melhor amiga"...mas não reclamo...quer dizer, reclamo sim, em alguns casos, em outros não :). Se bem que na maioria das vezes a escolha é minha mesmo, de ser a "melhor amiga" e só. Mas tudo bem, não vem ao caso.

Recomendo, quando não tiverem nada para fazer na net, que dêem uma olhadinha nos blogs que estão linkados aqui, quem sabe a gente não aumente esse círculo, se vocês gostarem de alguns que estão aqui e que ainda não tinham visto. Só tem coisa boa, eu garanto. Ok, é isso.
Domingo é dia de acordar cedo, e geralmente é um dia cheio. Espero que esse domingo venha cheio de novidades boas, especiais, dignas de serem contadas com um sorriso nos lábios. Ou que ao menos me inspire bastante para escrever um texto muito bom, daqueles que estão fazendo falta por aqui. Não que os posts não estejam bons, mas eu quero algo brilhante. E não é propaganda de sabão em pó.

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Sexta-feira, Maio 30, 2003

Profecia


"(...) Eu vou te deixar como você está, cheio de folhas e com parte da minha vida, você é o meu primeiro diário e o melhor (?) sei lá, não escrevi os outros ainda! Acho que meu último diário vai ser um computador, do jeito que as coisas vão no mundo (..) 23-11-1990"

(Trecho retirado do meu primeiro diário, que durou de 87 a 90)

Só não poderia saber que seria não um computador, mas um site... a primeira vez que ouvi falar em "diários virtuais" eu devia ter uns dezoito anos mais ou menos e a idéia me pareceu tão absurdamente estranha que por alguns instantes me peguei pensando que tipo de personalidade desequilibrada exporia sua vida na internet (que até então era um mistério para mim) desta forma. Eu não tinha idéia do que era um blog, muito menos do que levava uma pessoa a tornar sua vida pública. Ainda não sei, mas sei que não, não é fruto de mentes desequilibradas não...ao menos não todas as vezes, já que a gente encontra de tudo nesse mundo virtual.

Não vejo o blog como um diário (embora, em síntese, ele possa ser descrito como tal), vejo como um espaço livre onde há a possibilidade de escrever (e publicar) textos informais.... não necessariamente algo no estilo "querido diário", mas não excluindo esse tipo de "confessionismo" de vez em quando. Às vezes acontece uma coisa ou outra que não em sinto à vontade para publicar, embora às vezes até escreva um "post" offline, nos cadernos. E mantenho um diário, altamente desatualizado, foram-se os tempos em que eu dissecava minha vida e fazia um relatório diário em um caderninho colorido, adolescente. Colorido nada, ele era preto mesmo, com as folhas verdes. Esse, o mais cheio de conteúdo confessional, durou, se não me engano, de 1996 a 1998. A minha letra era minúscula e o diário tinha muuuuuuitas folhas, o que colaborou para que durasse dois anos, mesmo eu escrevendo compulsivamente, como sempre.

Estou fazendo essas escavações para ver se encontro um texto escrito à máquina em 97 que fiquei com vontade de compartilhar com vocês, de vez em quando dá vontade de jogar umas velharias aqui para divertir a humanidade. Achei esse meu primeiro diário guardado na estante do quarto, e com ele encontrei um outro, de 92 a 95, chamado Dilly, da época em que escrevi aquela carta. Sinto-me uma verdadeira paleontóloga, encontrando diários rupestres do tempo das cavernas...



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